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Ophélia

Livros. Filmes. Música. Poemas.

Ophélia

Livros. Filmes. Música. Poemas.


Publicado por Patrícia Caneira

07.02.21

Eu sei que o tempo está triste mas venho confessar que se há coisa que ajuda ao confinamento é a chuva lá fora. Por aqui  é hábito escolher uma série para ver depois de jantar, em grande parte porque elas me têm ajudado a navegar fora do mundo real. Ora também porque mesmo nos grandes dramas e séries de crime, um caos fictício nunca nos toca como um caos real, como este em que já andamos há quase um ano. 

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Alex Hugo

A primeira série de que vos falo não faz parte do catálogo da Netflix nem da HBO, é uma daquelas coisas meio à moda antiga que dá uma vez por semana num canal de televisão. São seis temporadas com uma média de três episódios cada mas se acham que é pouco, aviso já que cada episódio equivale a um filme, já que nenhum dura menos que uma hora e meia. Esta foi uma série que descobri ao acaso mas que rapidamente conquistou o meu coração e ocupa agora um lugar no meu Top 3 de séries favoritas de todo o sempre. Primeiro ponto positivo: a série é francesa e passa-se nos Alpes, com paisagens de tirar a respiração. Segundo: Alex Hugo (interpretado pelo incrível Samuel Le Bihan) é um polícia com queda (literalmente) para a criminalidade com uma personalidade e intuitividade que nos agarram desde os primeiros minutos. Por último mas não menos importante: cada episódio retrata uma história de vida diferente o que quebra a monotonia da série e permite até a quem quiser, não ver os episódios pela ordem em que saíram. 

Fox Crime • Policial • 6 Temporadas 

Lupin

Acho honestamente que foi a primeira vez em que me deixei levar sem hesitar muito por uma série que estava nas bocas do mundo. Quando li sobre Lupin, associei imediatamente a duas coisas: os livros de Agatha Christie e o filme Mestres da Ilusão. Novamente uma série francesa e também não vos sei confessar se isto é um mero acaso ou se sou eu que gosto muito da língua. Os primeiros cinco episódios que saíram em janeiro deste ano, acompanham a história de Assane Diop, um homem negro que viu no passado o seu pai morrer por uma injustiça e agora se quer vingar, inspirando-se nas aventuras de Arsène Lupin que praticava assaltos sem nunca ser apanhado. Uma espécie de herói invencível. Este é o serão ideal para quem não tem o que fazer num domingo de chuva, já que o difícil vai ser parar depois de começarem. Por aqui, os cinco episódios ficaram despachados numa tarde, agora é esperar pela segunda parte da história. 

Netflix • Drama • 2 Temporadas 

Grand Army

Quando me apareceu a sugestão de Grand Army, sabia que estava perante uma série juvenil que explora todas as questões inerentes à chegada da vida adulta mas essa era a única premissa que tinha. Aliás cheguei mesmo a pensar que não passaria muito ao lado de 13 Reasons Why mas foi uma opinião que mudei ao longo dos episódios. Primeiro porque apesar de ser efetivamente uma história de jovens que não sabem quem são nem para onde caminhar, esta é uma série que toca nas feridas e chama a palco alguns dos maiores tabus do século XXI. Atual será o melhor adjetivo para definir a obra de Katie Cappiello, começando pelo assassinato de George Floyd e as posições racistas tomadas face a alguns alunos do colégio de Grand Army, ataques bombistas, consumos de alcóol e drogas, a exploração da sexualidade e a luta da homessexualidade com a religião.  Por fim o elefante grande da sala, que aviso já, nos ncomoda e perturba. Joey Del Marco é violada pelos melhores amigos, com quem partilhava um táxi a caminho de uma festa. Quando decide fazer queixa com o apoio dos pais, é ela que acaba por ter de mudar de escola e de vida, já que os agressores são considerados inocentes. A luta por justiça, a perturbação pós trauma e todas as vidas que se desenrolam ao redor de Joey não são para nos distrair ou fazer rir frente à televisão. Mas são extremamente necessárias nos dias que correm, para pais, para filhos, homens e mulheres. Quem sabe se não descobrimos mais sobre as suas lutas, quem sabe se não descobrimos mais sobre nós.

Netflix • Drama • 1 Temporada 

E vocês já viram alguma destas séries? 


Publicado por Patrícia Caneira

01.02.21

Dói-me o peito. 
Não consigo respirar.
Sei que não estou a morrer mas há tantos que estão.
Sei que passa, vou respirar fundo para um saco de papel, vou esticar os braços ao alto, vou ouvir música, vou comer gelados.
Vou ganhar peso.
Dói-me o orgulho.
Não consigo emagrecer.
Sei que não tem problema mas há tantos que não comem porque os tubos não deixam.
Dói-me a cabeça.
Falo comigo a toda a hora sem parar.
Não me consigo concentrar.
Sei que consigo dizer para as vozes se calarem mas há tantos que partem sem falar com ninguém.
Tenho a cara cheia de borbulhas.
Já experiementei todos os cremes da montra e aparecem sempre mais.
Sei que ninguém me vai ver mas também ninguém vê os que chegam de máscara já de olhos fechados.
Estou num buraco fundo.
E amanhã a meteorologia diz que o sol ainda brilha de manhã.
Sei que vou tentar outra vez mas há tantos que tentam e não conseguem salvar toda a gente.
Estamos num buraco fundo.
E se há corda que nos salvem então que a mandem agora.
Morreremos todos com isto: uns para sempre e outros aos pedacinhos.
Então tragam cola, tragam flores e tragam vinho.
Mesmo longe havemos de fazer a dor doer menos.

Patrícia Caneira


Publicado por Patrícia Caneira

23.01.21

E pimbas! Estamos confinados outra vez. Por aqui estou em casa já desde o Natal, quando terminei o meu contrato de trabalho que viria a ser substituído por outro mais alargado no final deste mês mas tenho plena noção que no meio de tantas medidas e ajustamentos tal pode não acontecer. Felizmente tenho a sorte de poder ficar por casa enquanto me dedico a 100% à tese. Sei que não existem muitos como eu e que estes são mesmo tempos dificeis, por isso, para os que os atravessam com maior penumbra, muita força!

No entanto, estar com saúde (pelo menos por enquanto), ter um tecto e uma vida estável por vezes não chega e o confinamento trouxe consigo alguns medos e ansiedades que se manifestam principalmente em mau estar físico, dificuldade de concentração e pouca produtividade. Mas isto não é sinal para abrandar e deixar-me ir com a corrente, pelo contrário. Nos últimos dias tenho tentanto encontrar formas de confinar melhor e como sei que não estou sozinha nisto de não saber viver na incerteza, deixo-vos três coisas que me têm feito muito bem nesta nova quarentena. 

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10 minutos de yoga 

Descobrir o canal da Yoga With Kassandra foi quase um milagre para mim. Não consigo correr com o frio e estar o dia todo sentada à secretária era algo que me incomodava, até porque se torna o cenário perfeito para ganhar peso e essa é uma barreira que não quero cruzar. Assim propus-me a todos os dias de manhã, depois do pequeno-almoço acompanhar um dos vídeos da Kassandra e fazer cerca de 10 minutos de yoga. Não só me ajuda a ganhar energia e relaxar o corpo como também é das melhores atividades para a minha mente inquieta. Existem muitos vídeos de curto tempo e próprios para iniciantes por isso ninguém precisa de ser pró para experimentar. 

Ouvir música nova

A música é o melhor remédio e contra factos não há argumentos mas das coisas que mais gosto é o desafio de procurar músicas novas que realmente se encaixem com o meu estado de espírito. Neste momento o galardão vai para Jackson Browne e a sua maravilhosa "Late for the sky" e também para Dispatch e a música que tenho ouvido em loop "Year of the woman". 

Ler, ler, ler

Óbvio que isto não é uma dica inovadora, muito menos para quem me lê e para comigo mesma mas se há coisa que me ajuda a viajar nestes dias de confinamento e chuva são os livros. Impulsionada pelo desafio de janeiro da Rita da Nova, comecei a ler o Mataram a Cotovia, uma obra pertinente e necessária que já estava na minha lista há muito tempo e que até agora me tem tirado todos os dias um bocadinho da realidade. 

E vocês o que têm feito para aguentar o barco?


Publicado por Patrícia Caneira

15.01.21

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O meu primeiro livro de 2021 é também o último de 2020, o que é uma pequena vergonha mas também uma grande vitória. Recebi A Mulher Que Correu Atrás do Vento de João Tordo como presente de aniversário em março do ano passado mas só em setembro o comecei a ler. Já andava a namorar a obra e queria muito ler algo do autor por ouvir coisas tão boas a seu respeito, no entanto, assim que vi o tamanho do livro sabia que ia ser um desafio para mim já que não sou de "calhamaços". 

Para mim os livros devem ter um tamanho médio, o suficiente para me envolver na história mas também o ideal para não me deixar arrastar nas páginas. E por isso demorei mais tempo, mais precisamente alguns meses. Mas atenção, tamanho à parte sinto-me segura em dizer que este foi dos melhores livros que li até hoje. 

Estás enganada, riposta Jaime. Nós somos os nossos pais, somos o que há de pior num, e o que há de pior no outro. 
E porque não o melhor? 
Porque, se a vida fosse assim, já seriamos perfeitos. A raça humana tem milhões de anos. Não achas que, se os filhos fossem o melhor dos pais, e os filhos desses filhos também, e assim por diante, a evolução teria ido noutro sentido?

A Mulher Que Correu Atrás do Vento conta a história de quatro mulheres: Lisbeth, Beatriz, Graça Boyard e Lia, que existem em décadas diferentes mas que têm um destino que as une a todas, muitas vezes sem saberem. Os capítulos são contados na voz destas mulheres que intercaladamente falam das suas chegadas e partidas, do amor que vem por vezes sob a forma de buraco sem fundo, sobre a dor de existir e sobre o facilitismo de largar a vida. 

Este é um livro extremamente completo não só porque dentro dele existem dezenas de histórias, todas bem construídas e fundamentadas mas também porque as personagens que surgem são humanas e iguais a todos nós. As referências literárias e musicais de João Tordo que aparecem ao longo das páginas provam também que este merece (e muito) ser um dos autores portugueses de maior destaque. 

O final vem em jeito de relato pessoal, onde o autor encarna Beatriz e nos conta a razão deste romance, atirando-nos para uma reviravolta inesperada, o que em grande parte me leva a colocá-lo no Top 3 dos melhores livros que já li.

E vocês já leram esta obra? O que mais aconselham do autor?

A Mulher Que Correu Atrás do Vento
João Tordo
504 páginas
★★★★☆
 

 


Publicado por Patrícia Caneira

02.01.21

Desde já um bom ano a todos os que por aqui passam para ler as babuseiras que escrevo de quando em vez. Deste lado estamos na esperança de que 2021 seja bem melhor que o ano que passou. De forma a começar com os pés juntos (esqueçam lá isso do pé direito que da última vez não deu em nada),  agora também estamos no instagram, passem por lá e sigam @ophelia.sapo.pt

Sobre o post de hoje, tenho a dizer que sou uma fã assumida de séries e filmes de época e quando encontrei no catálogo da HBO a The Spanish Princess, bastou-me ler o resumo para saber que era mesmo o ideal para ver no final de um dia de trabalho. Foi assim que passei o último mês do ano, no sofá a devorar a história conturbada e extravagante dos Tudors. 

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The Spanish Princess conta a vida de Catarina de Aragão, filha da rainha Isabel I de Castela, a quem durante a vida inteira foi prometido o trono inglês. Quando por fim se dá o casamento da princesa espanhola com o príncipe Arthur que sucederia como rei de Inglaterra, tudo parece estar no caminho certo para que uma aliança entre os dois países prevaleça. 

Só que poucos dias depois do casamento, Arthur acaba por morrer vitima da peste e é aí que a paixão proibída de Catarina por Henry VIII (o irmão mais novo de Arthur) se torna pública e sob uma jura falsa de virgindade, o casamento dos dois acontece prometendo uma corte luxuosa e um amor maior que todas as barreiras. Mas a história de The Spanish Princess é muito mais que amor e bailes de sociedade. 

A série não é no seu todo fiel à verdadeira história até porque se foca nalguns pontos, como o poder das mulheres, que na altura não eram considerados e muito menos relevantes. Catarina, interpretada pela lindíssima Charlotte Hope é uma das delícias destas duas temporadas: inabalável, guerreira, decidida e temível, tudo aquilo que uma mulher não devia ser aos olhos da sociedade. A ela juntam-se, com a mesma força, Maggie e Maria (irmãs de Henry) e ainda Lady Pole, que para mim leva o galardão de personagem favorita pela resiliência e não só.

Mas não querendo desvendar mais, The Spanish Princess foi uma das minhas séries favoritas sendo que só não conseguiu destornar The 100. 

The Spanish Princess
2 Temporadas
HBO
★★★★★



Publicado por Patrícia Caneira

27.12.20

Sim eu sei que o ano ainda não acabou (infelizmente) mas nada me impede de começar a sonhar com um ano mais leve, mais simples e certamente com mais livros na prateleira. Dessa forma trago, de um jeito modesto, três livros que quero ler em 2021, todos por razões diferentes e alguns um bocadinho mais que outros.

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Sobre Sally Rooney já correu muita tinta não só em blogs como também um pouco por todas as redes sociais. Eu, que geralmente ignoro as coisas sobre as quais muito se fala, tal como fiz com Game of Thrones ou La Casa de Papel, tenho sentido uma atração profunda sobre o Normal People e até a série continua arrumada na gaveta porque me impus a mim mesma ler a obra primeiro. Normal People conta a história de Connell e Marianne, que cresceram na mesma cidade mas que durante a vida foram linhas paralelas que se cruzaram algumas vezes pelo caminho. O que sei é que é um livro sobre amor, desamor, amizade, angústia, solidão e medo. Sei também que não é nenhum Nobel da Literatura nem uma obra complexa que nos vem tirar o chão mas acredito (mesmo ainda sem ter lido) que é uma história simples que nos vem ensinar algo. Mais não seja a apreciar as coisas mais básicas. 

A Man Called Ove, foi dos últimos livros que ouvi falar. Emocionante é aquilo que todas as reviews têm dito e se eu sou uma pessoa que gosta de chorar acho que não existe aposta mais certa que esta. Não sei se será apenas mais uma obra feita com os ingredientes certos para apelar às emoções mas se for confesso sem vergonha que estou bem com isso, tal como estive quando O Milagre na Cela 7 se tornou viral. 

Por o último mas em primeiro nesta minha lista está o Nobel da Literatura de Olga Tokarczuk, Conduz O Teu Arado Sobre Os Ossos Dos Mortos. Encontrei este livro enquanto olhava para as promoções no site da Bertrand e não só o nome como a capa me despertaram imediatamente a atenção. Depois fui ler o resumo, "sob a máscara de policial noir ou fábula macabra, Conduz o Teu Arado Sobre os Ossos dos Mortos é um romance mordaz e desconcertante que questiona a nossa posição acerca dos direitos dos animais e responsabilidade sobre a natureza, bem como todas as ideias preconcebidas sobre a loucura, a justiça e a tradição". Achei que tudo isto só podia dar origem a uma obra daquelas que nos fica para a vida e desde aí que ando louca para o comprar, ignorando de forma inocente todos os livros que ainda tenho para ler aqui por casa. 

E desse lado, já leram alguma destas obras? Acham que valem mesmo a pena?


Publicado por Patrícia Caneira

20.12.20

Não consigo fazer três coisas ao mesmo tempo. Com um trabalho a tempo inteiro e horários rotativos e uma tese de mestrado para entregar, foi o Ophélia que acabou por ficar para trás. Na verdade, foi ele e também os livros, que desde outubro estão todos parados na gaveta. 

No entanto, as saudades de escrever não se matam sozinhas e hoje depois de uma folga em que consegui despachar um capítulo da tese, fiz as refeições da semana e ainda treinei de manhã, decidi passar por aqui e deixar-vos uma sugestão.

Desta vez chega em jeito de música, porque no fundo, juntamente com a poesia é ela que nos salva. Descobri Jackson Browne há uns dois meses e desde aí que na minha playlist é tudo o que toca. Não é recente, não é pop, não passa na rádio mas aquece-me o coração na maioria das vezes e nas outras afunda-me em tristezas. A These Days provoca-me um misto das duas coisas e chega embrulhada em mel e com um laço de paz. 

Em forma de presente, deixo-vos a simplicidade de Jackson Browne. Não só para este Natal mas para todos os dias da vida, que a simplicidade é mesmo o que mais esquecemos. O som de uma guitarra. O cheiro a café. O sol de inverno. O estarmos vivos. 

 

 

 


Publicado por Patrícia Caneira

30.09.20

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Andava em busca da maravilhosa Jane Austen há algum tempo. Sempre que entrava numa Bertrand ou numa Fnac lá ia eu procurar o Orgulho e Preconceito mas por essas mesmas razões, orgulho e preconceito, acabava por nunca trazer o livro comigo: ou a capa não era a que tinha idealizado, ou a edição era em inglês ou até mesmo o preço me incomodava.

Contrariamente ao que costumo fazer, antes de ler a obra já tinha visto o filme, que rapidamente se tornou num dos meus favoritos, já que adoro filmes de época e porque a história de uma jovem rapariga que no início do século XIX se recusa a casar e se apresenta como revolucionária e independente me conquistou de imediato.

Se os seus sentimentos são iguais aos que tinha em abril passado, diga-me de uma vez. As minhas afeições e desejos estão inalterados, mas uma palavra sua silenciar-me-á isto para sempre.

A história deste clássico foca-se na família Bennet, composta pelo Sr. Bennet, a mulher e as suas cinco filhas: Jane, a mais velha e mais bonita, Elizabeth, a determinada, Mary, obcecada pelas suas leituras, Kitty e Lydia, as mais novas da família, dotadas de uma grande despreocupação e sentido de humor. 

Tudo gira em torno da importância do casamento perante a sociedade, já que para viverem uma vida estável, todas as filhas deveriam casar com um homem de grande fortuna. A aventura começa quando o encantador Mr. Bingley dá um baile em Netherfield, em Inglaterra, onde se faz acompanhar por Mr. Darcy, um homem frio e de poucas palavras. Quando o primeiro vê em Jane a sua grande paixão, o segundo, sem o expressar claramente, fica encantado por Elizabeth, que na minha opinião é o sumo de toda esta história. 

Jane Austen fez um trabalho brilhante com esta obra (e seguramente com outras, embora este tenha sido o único livro que li da autora até ao momento), não só através da irreverência com que coloca como personagem central, uma mulher que procura mais do que um marido, uma vida culta e um futuro para si mesma, num romance escrito em 1797 mas também pela construção e evolução que cada personagem, mesmo as mais discretas, têm ao longo destas 280 páginas. 

A adaptação cinematográfica é uma das minhas preferidas como disse e felizmente a obra não ficou nada atrás. Aliás, despertou-me a curiosidade não só para ler outros livros da escritora mas também para ler algumas obras relacionadas com Orgulho e Preconceito, como é o caso de A Independência de Uma Mulher de Colleen McCullough, que conta a história de Mary Bennet, a irmã do meio cujo futuro fica em aberto na obra de Jane Austen.

E vocês já leram algum destes livros? O que acharam? 

Orgulho e Preconceito
Jane Austen
280 páginas
★★★★☆


Publicado por Patrícia Caneira

18.09.20

Hoje não vos trago um livro mas sim uma revista, afinal, o mais importante é ler. Como já disse algumas vezes por aqui sou formada em Jornalismo e por isso este universo tem um cantinho especial no meu coração. A primeira edição da DØT Magazine surgiu o ano passado e quando a Joana, que criou este projeto me convidou a fazer parte da segunda edição, a resposta só podia ser positiva. E assim foi.

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Mas não é só por fazer parte da equipa que vos quero falar da DØT. Falo dela porque esta é uma revista recente no panorama nacional, é jornalismo independente feito por uma equipa jovem que quer dar palco à música portuguesa.

A revista, que é vegan em toda a sua produção, impressa em papel 100% reciclado e biodegradável, reúne cinco entrevistas a artistas nacionais sobre música (óbvio) e sobre liberdade, o tema desta edição que se inspirou na música de Sérgio Godinho.

Na capa está Tomás Adrião, lá dentro Golden Slumbers, Fado Bicha, Zanibar Aliens e Lena D'Água. Toda a revista é escrita à mão pela Joana, que tem também o dom de todas as fotografias que lá encontram. 

Depois de sair da gaveta a 16 de setembro, a DØT Magazine está disponível em Lisboa, na Chasing Rabbits Record Store ou online em www.itsdotmagazine.com, pelo valor de €4,50 mais portes de envio. 

Esta é uma boa opção para quem gosta de ler, para quem gosta de música e para quem gosta de projetos inovadores, no fundo, para toda a gente. 

 
 
 


Publicado por Patrícia Caneira

09.09.20

Pois é, estou de volta! Agosto foi um mês dedicado ao descanso, mais longe das redes sociais e mais perto da família. Descansei, apanhei sol, lavei a alma e agora estou de volta para me dedicar de corpo e alma a motivos académicos. Numa das redes sociais do lado até já coloquei o aviso de que vou hibernar até março, pode ser que assim os amigos desculpem as minhas ausências nos próximos cafés. Mas por aqui, vou cumprir o objetivo de pelo menos vos contar o que anda na minha mesa de cabeceira.

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No entanto, apesar do descanso tenho tentado manter o meu ritmo de leituras. Em agosto terminei o Orgulho e Perconceito de Jane Austen, que deu origem a um dos meus filmes favoritos e do qual vos falarei num post próximo. Agora abri portas a João Tordo e ao seu A Mulher que Correu Atrás do Vento e meu deus, ainda agora comecei e já estou rendida, a genialidade com que o autor relaciona personagens em tempos e vidas diferentes faz com que seja difícil colocar a leitura em pausa. 

E vocês, quais foram as grandes leituras deste verão?

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