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Ophélia

Livros. Filmes. Música. Poemas.

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Publicado por Patrícia Caneira

01.04.20

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Aos 12 anos, debaixo da árvore de Natal estava um embrulho que denunciava o presente. O livro trazia na capa tecidos antigos e colares de pérolas e o título escrito a negro "Mulherzinhas". Talvez na altura os meus interesses fugissem um pouco do que ali estava escrito mas com o passar dos anos, Louisa May Alcott tornou-se uma escritora incrível, que ali punha uma história incrível sobre o que é isto de ser mulher.

 
Este ano, o livro de 1868 transformou-se em sétima arte pela sétima vez e para os que estavam reticentes na fidelidade e cuidado da adaptação, Greta Gerwig conseguiu-o com mestria e o resultado está à vista. A academia nomeou "Mulherzinhas" para Melhor Filme, Melhor Atriz com Soarise Ronan, Melhor Atriz Secundária com Florence Pugh, para Melhor Guião Adaptado, Melhor Banda Sonora e ainda Melhor Guarda-Roupa.
 
O filme conta a vida das irmãs March, muito unidas e igualmente distintas entre si. Meg, interpretada por Emma Watson que se distinguiu no cinema na saga Harry Potter, é a irmã mais velha e equilibrada, Beth (Eliza Scalen) é a mais bondosa das quatro, Amy (Florence Pugh) a irmã mais nova, destacada pela sua beleza e espírito de bon vivant. Por fim, a figura central da história, a irreverente, revolucionária e sonhadora Jo, que Saoirse Ronan interpreta na perfeição. 
 
Não só a história é emocionante, como a realizadora Greta Gerwig conseguiu trazer ao grande ecrã os detalhes mais específicos da época, desde as paisagens, aos detalhes e ao guarda-roupa, tudo encaixa de forma fluída no romance que apaixonou jovens e adultos por todo o mundo. Contrariamente ao livro, que tem uma coerência temporal bem marcada, a sétima adaptação ao cinema traz saltos temporais, entre 1861 e 1868, que tornam a história mais ágil e interativa. 
 
Do elenco, fazem ainda parte Laura Dern no papel de mãe, Meryl Streep que interpreta de forma sarcástica e bem definida a tia rica e solteira da família, Bob Odenkirk, Timothée Chamalet e Louis Garrel. A evidência de que a história gira em torno de Jo e da sua necessidade de contrariar o que é expectável para as mulheres, nenhuma personagem secundária é esquecida, bem pelo contrário, todas as personalidades são bem preparadas e encaixam na medida certa com o decorrer do filme.
 
Numa altura em que o empoderamento feminino está nas bocas do mundo, ainda com um longo caminho a percorrer, ver esta luta tão presente num romance do século XIX é um dos mais bonitos presentes. Louisa May Alcott, a autora original do livro, inspirou a obra na sua própria história e outro dos momentos irresistíveis do filme são as cenas finais em que assistimos ao fabrico e impressão do próprio romance, que aqui aparece como se fosse de Jo. 
 
"Mulherzinhas" retrata a vida de muitas mulheres diferentes, mas o que aprendemos com a história é que todas temos um pouco de cada uma delas em nós, a paixão de Meg, a beleza de Amy, a bondade de Beth e sobretudo a independência de Jo. 
 
Mulherzinhas
Greta Gerwig
Baseado na obra de Louisa May Alcott
Drama/Romance
134 min
★★★★☆

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